Está de passagem por São Borja, o artista de rua e vendedor ambulante Ezequiel Rodriguez, natural da cidade de Piriápolis no departamento de Maldonado, no Uruguai. Há mais de uma década vivendo nas estradas da América do Sul, ele percorre o Brasil oferecendo ametistas em estado bruto, originárias de Artigas, no norte uruguaio.
Segundo Ezequiel, as pedras que comercializa são reconhecidas internacionalmente pela sua qualidade. “É a segunda melhor ametista do mundo; só perde para uma de uma cidade da Sibéria”, afirma. Os preços variam entre R$ 10 e R$ 100, e as peças são acompanhadas, por cortesia, de brindes destinados aos compradores.
Com formação artesanal, o uruguaio relata que, por ora, optou por não trabalhar diretamente com o polimento e acabamento das pedras, concentrando-se apenas na venda das peças in natura. “Tô meio preguiçoso”, afirma, com um sorriso amarelo.
Ele também relata já ter visitado mais de cem cidades, incluindo várias do Brasil. Por aqui, teve passagem prolongada por estados como Minas Gerais. “Conheço quase todas as cidades mineiras”, diz.
Radicado temporariamente em território brasileiro, Ezequiel viveu por sete anos no país, onde constituiu família e mantém vínculos afetivos. “Tenho uma filha brasileira e grande apreço pelo povo daqui, sempre muito acolhedor”, destaca.
Simpático, o uruguaio das ametistas ocupa seu espaço na calçada com paciência e tranquilidade, na prosa com outros andarilhos que, como ele, estão apenas de passagem. Dividem o tempo e a certeza de que, assim como chegaram, logo seguirão caminho. Sua história é o retrato de uma América Latina viva, errante, generosa. Que atravessa fronteiras com uma sacola no ombro e histórias no olhar.



