O cantor Zezé Di Camargo, que nesta semana criticou publicamente a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sede do SBT e pediu o cancelamento de um especial de Natal gravado pela emissora, tem em seu histórico profissional contratos milionários com o Partido dos Trabalhadores e uma longa relação com apresentações custeadas por recursos públicos, inclusive federais.
A controvérsia começou após a visita institucional de Lula ao SBT, acompanhado da primeira-dama Janja da Silva e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. No desabafo, divulgado em vídeo nas redes sociais, o cantor chegou a acusar dirigentes do SBT de estarem “se prostituindo” por receberem o presidente, pedindo que o especial “Natal é Amor”, previsto para ir ao ar no dia 17, não fosse exibido. Diante da repercussão, a direção do SBT decidiu cancelar a atração.
Registros públicos indicam que Zezé Di Camargo participou ativamente da campanha presidencial de Lula em 2002, quando ainda integrava a dupla com o irmão Luciano. Naquele pleito, a empresa da dupla recebeu R$ 1.275.000 para a realização de 17 apresentações em comícios do PT. Corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), o montante corresponde hoje a aproximadamente R$ 4,9 milhões.
Além das apresentações remuneradas, uma música da dupla, Meu País, foi adotada como jingle oficial da campanha petista, ampliando a associação artística com o então candidato à Presidência da República.
A relação do cantor com recursos públicos não se restringe ao período eleitoral. Dados do Portal Nacional de Contratações Públicas apontam ao menos 77 registros de contratações envolvendo o nome de Zezé Di Camargo desde 2023, em contratos firmados por prefeituras para a realização de shows. Em diversos casos, os pagamentos são realizados com verbas provenientes do Governo Federal.
O conjunto das informações evidencia que o atual discurso crítico do artista em relação ao governo federal ocorre em paralelo a uma trajetória marcada por vínculos contratuais e financeiros com o poder público e com o partido que hoje ocupa a Presidência da República.



